Projeto Lerelena

Projeto Lerelena

Em homenagem ao centenário do nascimento da poeta paranaense Helena Kolody iniciamos o Projeto Lerelena.

Nove poetisas do sul brasileiro se propoem ao desafio de ler relendo (ler helena) e interInvencionar. A proposta é confluir e colidir a nossa letra com a dela, helena. As interInvenções serão sempre sensibilizadas por poemas seus. Nesta primeira etapa partiremos de nove poemas que serão postados a cada sexta-feira.


Miragem no caminho (Helena Kolody)

Perdeu-se em nada,

caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.

(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho.)



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Folha dourada


E ai eu penso na Bruna, eu queria dormir com você Bruna, será que assim conseguiria dividir? Bruna, você não diria nada, mas me escutaria e tentaria me entender, ou pelo menos fingiria. 

E qual é a diferença de fingir e não fingir... 

Se você dormisse comigo Bruna, você seria minha Jaque, quem é Jaque? Jaque é uma história inteira sem dor vermelha, a dor da história de Jaque é uma dor rosada, levemente rosada. Tudo parte do foco narrativo, a história de Jacque não é contada por ela, a história de Jacque é contada por sua amada. Nunca saberemos qual seria a cor da história de Jacque contada por ela mesma. Será que a história de dois tem cor? As vezes penso que não, dois é tão descrente de tudo e depois que viu vermelho na palavra acho que talvez sua cor seja verde, se não azul (agora sei que a história de dois é negra).

12-12-2011

Ainda é hoje e eu continuo sem saber o que sentir, como sentir.... Clichê, clichê. Ver uma cena de copulação entre dois corpos em ebulição e pensar em como, se sente isso, como se vivi. Vivi me lembra a Vivia, como Vivia pode ser um apelido? será que Vivia vivi? não sei, a outra Vivi é, sei lá.... ainda não conheço a outra Vivi. 
Quantas vezes já ouvi este grilo cantante de clima transpirante, mas agora a música é outra, sempre outra.  Então voltando a cena, pensava em escrever o que sentia mas não na cena, em outra cena, na praia da Daniela, na areia, entrelaçada em um corpo então conhecido. Corpo que não conheço mais, corpo que percebe o vento e não vê a chuva do próprio órgão. 

Naqueles dias eu tinha um corpo meu. 

Hoje, ainda hoje sinto o cheiro do verde.azul mar, a crosta de areia ralando a pele não tão dura do cotovelo e entrando toda linda no cálice do joelho. E pela primeira vez sinto vontade de explicar, mas não pra ele, corpo de inverno, pra folha dourada que passa parada e senta ao meu lado sem pedir licença de existir.

 Eu quero te dizer, que hoje, ainda hoje eu sei que tudo que tenho é sua presença loura me chamando. Você é um convite pra viver meu suco, você é meu cálice, você é meu fálece. 


Um comentário:

saudadesó ósedaduas disse...

9
saudade é ir comer pizza e entre tantas opções escolher sem titubeio margherita e ainda pedir pra caprichar no manjericão
saudade é fazer a sesta e fazer de conta que a saudade está completa
saudade é não comer o meioamargo mas comprá-lo e deixá-lo ao lado do carbenet no armário
saudade é preparar o café de manhã mesmo sabendo que seu cheiro não tem alguém pra acordar
saudade é tomar suco de maracujá antes de dormir pra poder sonhar anarelo
saudade é beber lentamente um Alexander e senti-lo já quente no último gole
saudade é esperar pela pergunta que demora: como tá o tempo lá fora

saudade é dar-se conta de que a saudade se foi mas ainda está