Projeto Lerelena

Projeto Lerelena

Em homenagem ao centenário do nascimento da poeta paranaense Helena Kolody iniciamos o Projeto Lerelena.

Nove poetisas do sul brasileiro se propoem ao desafio de ler relendo (ler helena) e interInvencionar. A proposta é confluir e colidir a nossa letra com a dela, helena. As interInvenções serão sempre sensibilizadas por poemas seus. Nesta primeira etapa partiremos de nove poemas que serão postados a cada sexta-feira.


Miragem no caminho (Helena Kolody)

Perdeu-se em nada,

caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.

(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho.)



sábado, 22 de setembro de 2012

Projeto Lerelena 3 - Exílio


Exílio 
        (Helena Kolody )


Somos tão estrangeiros nesta vida!

Vivemos doloridos e insatisfeitos.
Há sempre uma farpa aguçada
Cravada num nervo sensível.
Em tudo, sempre uma ausência,
Um travo de imperfeição.




Tentativa de desapego I (insucesso) 
                                           (Amanda)


Ando apegada em palavras...

Palavras são gotas de chuva quente
que transformam raio de sol em arco-íris
e ao cair no mar tornam a ser oceano

Ando apegada em palavras...






há no nada 
                (Olivia Lucci)

 

há algo em tudo. No nada.
no nada há algo.
nonada.
eu sou nada. Mas sou algo.
algo no nada.




Hoje 
      (Caro Liz)


a dor
adormecida
é 
doramor.



exílio: 
         (Turquesa)



a dor
(como a pedra
que ora
me chamo
me chama)
é assim:
dura
dura
dura
dura
dura



  
A perfeição não me pertence 
                                       (Jo Ana)


A perfeição não me pertence
às vezes sou oca e seca

Mas o momento brilha tanto que transborda
Na ausência sempre a presença.




Manequim na sacada
                                 (Anali Mattar)


No canto da sala de aula uma vontade incontrolável de chorar
A manequim na sacada não tem choro

Na cama contorcida um forte aperto nos dentes
A manequim na sacada não tem dente

No banho de chuveiro um grito de dentro
A manequim na sacada não tem dentro

Na rua fria um olhar contemplativo
A manequim na sacada é contemplada

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
e a manequim na sacada. 



















3 comentários:

Anônimo disse...

Ilho-me (Cida Ikovê)

ilho-me
meus braços água ao redor de mim
olho-me (sem contemplação)
meus olhos frios de manequim
e o espelho, minha vitrina perfeita para retinas retidas no tempo

ilho-me e olho-me
e uma garrafa quebrou nas pedras

Gabriel Francisco disse...

Uma ausência
Um desvio na perfeição
Pra aguçar a vontade de viver
Pra ausência se tornar ausente
Pra completar com qualquer essência
o buraco da imperfeição!

Alicia Ácida disse...

Quem nos dera (Alicida)
Quem me dera ter a sorte de ter sorte
Coração valente tece traços de imperfeição
Quem me dera ter a sorte de ter sorte
Se a psicolepsia não me tomasse inteira
Quem me dera, quem me dera
Tão fútil!
Debulhar o milho, escolher o feijão
Ser mais simples,com mais emoção