Projeto Lerelena

Projeto Lerelena

Em homenagem ao centenário do nascimento da poeta paranaense Helena Kolody iniciamos o Projeto Lerelena.

Nove poetisas do sul brasileiro se propoem ao desafio de ler relendo (ler helena) e interInvencionar. A proposta é confluir e colidir a nossa letra com a dela, helena. As interInvenções serão sempre sensibilizadas por poemas seus. Nesta primeira etapa partiremos de nove poemas que serão postados a cada sexta-feira.


Miragem no caminho (Helena Kolody)

Perdeu-se em nada,

caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.

(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho.)



domingo, 14 de outubro de 2012

Projeto Lerelena 6 - poesia mínima


Poesia mínima
                  Helena Kolody

Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.



Lampejo (Turquesa)

mordeu a língua no escuro
e viu estrelas
em bem outro céu.


poesia mínima (Olívia Lucce)

azul mar tristeza melancolia serenidade falta de vontade profundeza água mágoa cor primária todos os bebês meninos são vestidos de azul aquele time de futebol que eu não gosto bandeira da onu bandeira do uruguai a cor predileta do meu pai linhas do caderno comida nenhuma alguma flor dor aguda sexto sentido olhos do meu amor saudade melhor idade tranquilidade chico indiferença o que está embaixo da pele um dos livros na estante infinito linha do horizonte céu azul

o céu é o excesso


Prato do dia (Jo Ana)

não é apenas
luz de vela
luz da lua

banho de mar

é também
luz fria
tela de led

resfriado, mulher sem batom, camisa listrada
um lado, o outro lado... 
poesia
também é
arroz com feijão. 



Sem muros (Denise Vieira)


Sem muros
pra pintar estrelas
É preciso arrancá-las das entranhas



e as estrelas na nuca (Anali Mattar)


e as estrelas tatuadas na nuca
costuram o céu
cinza mas azul 
do corpo salgado da moça pintada

e a lua enamorada
deixa cair gotas laminadas
no peito da voz rouca
do momento
do movimento
do morro dos ventos uivantes.  


Alô, alô, só quero descongestionar 
                                             (Lívia Berthe)

Não sei se é um congestionamento na tempestade ou uma tempestade no congestionamento.
Mas todos sabem que com a louca vontade de descongestionar veio.
apenas aprenda a ir, sem pensar, onde tudo pode acontecer...
 

 
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2 comentários:

Anônimo disse...

Estrela de mão (Cida Ikovê)

Com caneta uni-ball
pintou uma estrela na mão
e teve a mão ao alcance da estrela.
O que ninguém sabia
é que era estrela do mar
que agora se fazia
estrela de mão.

Alicia Ácida disse...

Luz e Escolha (Alicida)

É aquele sentimento que voa
Borboleta cinza a luz da lua
Borboleta ou Mariposa?
Marboleta, Borboposa